Ele não quer seu sangue

Por Ney Anderson
 O escritor paulista André Vianco, 36 anos, impressiona pelos números; desde o primeiro livro, publicado no ano 2000, já vendeu mais de 700 mil exemplares. No entanto seu nome não é tão badalado na mídia e nunca está na lista dos prêmios literários do país, talvez por escrever sobre vampiros, lobisomens e espíritos malignos, gêneros de difícil aceitação para a crítica brasileira, porém Vianco conseguiu uma legião de fãs e suas sessões de autógrafos são um verdadeiro alvoroço.  




O autor está lançando o primeiro romance policial, O caso Laura (Editora Rocco, 272 pgs. R$ 32,50), que acabou de ser lançado pela Editora Rocco, nova casa editorial, com uma tiragem de 30 mil exemplares.

“O caso Laura” é um livro com atmosfera sombria e psicológica, que mostra uma reclusa mulher restauradora de imagens sacras que mantém encontros com um homem misterioso num banco de praça; um idoso desconhecido contrata o detetive Marcel para seguir os passos dos dois. Os diálogos são rápidos carregados   com alguns clichês dos livros policiais, mas isso não o torna chato ou enfadonho. A força imagética trabalhada no romance é algo que Vianco já aprendeu a utilizar e serviria muito bem nos cinemas multiplex: cenas de ação de tirar o fôlego, mistérios que vão sendo jogados e respondidos em pequenas doses e a famosa artimanha de sempre terminar uma página com alguma surpresa que será desvendada na outra. Para um autor que ficou conhecido por escrever livros sobre vampiros, fica difícil fazer uma obra sem algo sobrenatural. O termo policial dark, como Vianco define o romance, vem justamente das doses de sobrenatural. Há outra história paralela à principal, um policial que teve a mulher assassinada dentro de uma boate é investigado por alguns crimes, no final as histórias se entrelaçam para chegar a um desfecho óbvio.


A literatura de André Vianco não é e nem pretende ser alta literatura, trata-se de entretimento puro, uma boa para ler no ônibus ou em alguma aula chata de faculdade. Os vampiros e lobisomens de André Vianco não querem seu sangue, eles pretendem apenas te divertir.

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