Um novo conceito de editar livros

Foto: Equipe Editorial

Por Ney Anderson

 

Cada vez mais pessoas estão escrevendo, passando longos meses produzindo seus romances, contos, poesias etc. Logo em seguida surge um desejo, que é o complementar do primeiro: publicar. Quase sempre os autores estreantes sofrem essa barreira quando
sentem que suas obras estão prontas para serem lidas e comentadas por várias pessoas. As grandes editoras dificilmente apostam em autores inéditos, uma lógica bem simples de explicar, elas precisam que o livro venda rápido, para pagar todo o investimento feito. Por isso procuram os ficcionistas “prontos” e conhecidos. 


Entrando nesse nicho de mercado a Editora Livrinho de Papel Finíssimo, resolveu ser um dos caminhos para os autores novos que buscam um lugar ao sol. Criada em 2006, é uma editora independente,que fica localizada no sétimo andar do Edifício Pernambuco, no caótico centro do Recife, na Avenida Dantas Barreto. Para fazer o diferencial, uma equipe formada por cinco pessoas, entre desenhistas e designers gráficos, “pensam” o livro não apenas como objeto físico, mas artístico, com total liberdade de criação, experimentando formas e tamanhos. Tanto que as capas e o miolo dos livros são feitos de maneira artesanal, cada um da equipe fazendo uma etapa do acabamento da tiragem. 


Para Sabrina Carvalho, fundadora do selo, as dificuldades em manter o grupo funcionando são enormes, devido à grande concorrência. “As vendas acontecem nas nossas festas de lançamentos. Fora dos eventos, é bastante pulverizada por que não contamos com uma distribuição e nem uma tiragem compatível que possa ser regional ou nacional”, comenta. Mas a grande jogada da editora é que os próprios autores podem custear quantos livros quiserem. “Muitos livros com nossa assinatura são tiragens bancadas por autores que nos procuram como assessoria editorial e nesse caso, a tiragem fica quase toda com o autor”, diz. 


Vários são os formatos de impressão da editora, que faz também fanzines, livretos e revista. A tiragem pode ser de cinqüenta à mil exemplares, dependendo do interesse do escritor, que pode desembolsar entre R$ 300 é R$10 mil reais, de acordo com as particularidades do livro. Todo o custo serve não apenas para imprimir os títulos, mas para cuidar da concepção, edição, revisão, produção e os demais trabalhos envolvidos para que a obra saia com um toque caprichado e diferenciado das demais do mercado. 


A Livrinho…  tem parceria de distribuição com grandes livrarias da capital, e pretende ainda esse ano lançar uma coleção de obras que estão em Domínio Público e criar oficinas de produção de livros. Outro desejo da editora e torna-se uma Associação de Editores, para entrar em outros mercados e públicos. Com muita ousadia e trabalhos diferenciados, esse tipo de iniciativa é uma realidade cada vez mais presente e necessária, seja na ideia inicial, mas também passando por todo o processo de produção e na concepção final da obra. A editora veio para fazer de cada livro muito mais do quê um objeto de desejo, mas um pequeno mundo de sons, cores e sentimentos.



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