No penúltimo dia da Fliporto, Mia Couto e Agualusa lotaram o pavilhão das conferências e Cristiane Torloni fez uma bela leitura dramática no encerramento do sábado

 

Mia Couto e Agualusa lotaram o pavilhão das conferências/ Foto: Tom Cabral/ Agência Dupla Comunicação

Por Ney Anderson

O penúltimo dia da Fliporto foi recheado de boas mesas. A primeira delas foi a com Mia Couto e José Eduardo Agualusa, que lotaram o pavilhão do congresso literário, para falar de um tema muito propício para o trabalho dos dois: Literatura e realidade. Em seguida, Antônio Cícero e João Almino falaram da construção da palavra através da poesia, narrativa e cidades. Para Cícero no poema “nunca se sabe onde vai parar”, falou ainda de como é escrever letras de músicas para cantores famosos como Marisa Montes e Lulu Santos. “Na música, a letra precisa fazer parte da canção como um todo. O texto , neste caso, é baseado em notas musicais. Na poesia faço isso aleatoriamente”, contou.

No painel nove, que iniciou as palestras da tarde, um assunto que sempre desperta o interesse da comunidade literária: Livros e autores, novos cenários e desafios. Com Luciana Villas-Boas, que já foi da Editora Record, Rui Couceiro, diretor geral da maior editora de Portugal, A porto Editora, e Pedro Herz, Diretor-Presidente da Livraria Cultura. Luciana fez um grande balanço dos novos suportes para o livro, como os e-books que, segundo ela,  essa difusão já está mudando a maneira como as editoras estão buscando seus autores, não mais apenas pela qualidade do texto escrito, mas pelas vendas desses autores em lojas virtuais como a Amazon.  Rui Couceiro comentou sobre a grande quantidade de publicação na Europa, tanto o impresso, como os livros digitais, que as editores estão procurando meios de fazer funcionar antes que essa mesma mídia torne-se obsoleta por causa do possível surgimento de outros aparatos tecnológicos. Pedro Herz, por sua vez, não falou muito sobre o futuro do livro e do autor, focou sua participação na história da criação da Livraria Cultura, um dos maiores conglomerados do setor cultural do país.

Ruy Castro, Heloísa Seixas e Geneton Moraes, fizeram uma das melhores mesas sobre Nelson Rodrigues/ Foto Beto Figueiroa/ Agência Dupla Comunicação

Ruy Castro e Heloísa Seixa, com mediação de Geneton Moraes Neto, fizeram até aqui uma das mesas mais emocionantes sobre Nelson Rodrigues, o homenageado do evento, sob o tema: Segredos e inconfidências d”O Anjo Pornográfico, eles discorrem sobre o papel do dramaturgo pernambucano nas artes do Brasil e sobre histórias pessoas que tiveram com ele. Ruy Castro, autor de uma biografia sobre Nelson, contou como foi o trabalho de pesquisa para escrever o livro, num momento em que o autor de A vida como ela é, estava quase esquecido nas livrarias. Segundo Ruy, havia um demanda reprimida por Nelson, tanto foi verdade que depois da lançamento da biografia,  os livros do dramaturgo começaram a ser relançados. Heloísa Seixas , que é esposa de Ruy Castro, contou como é ser casada com um biógrafo, acompanhando a rotina de pesquisa e produção dos livros. Geneton Moraes Neto, sempre uma boa escolha para mediação, também teve contato com Nelson Rodrigues, logo no início de sua mudança para o Rio de Janeiro (Geneton é pernambucano e trabalhou no Diario de Pernambuco), ele foi escalado para entrevistar o escritor, conseguiu o feito em um domingo de jogo da Seleção Brasileira, do encontro saíram algumas horas de fitas gravadas (uma parte delas foi mostrada durante o painel).

Edney Silvestre falou sobre os processos de criação/ Foto Beto Figueiroa/ Agência Dupla Comunicação

Ainda teve poesia com flamenco falado e cantado pelo cantor Manuel Lorente, o guitarrista Ricardo Miño e Sonia Bartol. Para encerrar as conferências do dia, uma conversa com Edney Silvestre, repórter da Globo, que estava lançando o novo romance, A felicidade é fácil e também a primeira peça, Boa noite a todos. A atriz Cristiane Torloni foi convidada por Edney para fazer a primeira exibição pública da peça, com uma leitura dramática, que encerrou lindamente o penúltimo dia da festa.

Cristiane Tornei encerrou a noite de sábado em grande estilo com a leitura dramática da peça de Edney Silvestre: Boa noite a todos/ Foto Leandro Lima/ Agêndia Dupla Comunicação

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