Fliporto encerra mais uma edição com público recorde

Por Ney Anderson

Chegou ao fim ontem mais uma edição da Fliporto. Os organizadores fizeram um balanço positivo do evento e apontaram que 110 mil visitantes passaram pelo local  da festa nos quatro dias (em 2012 foram 90 mil), consolidando definitivamente o nome da Fliporto como um dos maiores eventos de literatura do país. Novamente foi confirmado a próxima edição da festa para Olinda, durante o feriado da república.

A programação mais uma vez foi bem extensa. Espaços alternativos, como a Fliporto Nova Geração e Fliporto Criança, foram bastante requisitados pelos mais jovens. Principalmente no noite de ontem (17), quando a atriz da novela Rebelde Mel Fronckowiack conseguiu causar histeria coletiva com sua presença. Santiago Nazarian foi o escritor que entrou antes de Mel para falar sobre seus livros. Tentou falar. A gritaria era insuportável e atrapalhou quem foi para assistir sua palestra. Não conseguiu explanar como deveria sobre o livro Mastigando Humanos, que está sendo relançado pela Record. A mediadora Márcia Dementshuk, tentou colocar o Nazarian dentro do contexto do público presente, formado jovens.  Acredito que de uma maneira desnecessária e infantil, até mais do que as crianças que estavam no local. O escritor, inclusive, viu a amiga Andrea del Fuego e a convidou para “ajudá-lo” a encarar uma plateia que não estava ali por causa dele. Um fato que precisa ser repensado pela organização para o próximo ano.

Santiago Nazarian e Andrea del Fuego

Na noite de sexta-feira os painéis começaram logo cedo, às 10h30 com um debate entre Juca Kfouri, Marcelo Backes e Francisco José Viegas, com mediação de Samarone Lima. O tema para esse painel foi: Por que o futebol brasileiro é ainda mais rico do que a literatura.A conversa foi interessante, com histórias engraçadas sobre o futebol e atual fase do espetáculo que o esporte se encontra. Ainda nesse dia, uma mesa interessante analisou a intersecção do jogo na literatura do argentino Julio Cortázar. Em seguida o painel sobre o homenageado do evento, José Lins do Rego. Sob o título Cartas na Mesa, teceram comentários sobre a obra do autor com  a paixão que ele nutria pelo futebol, em especial ao Flamengo. Laurentino Gomes foi o responsável por falar de história. E o dia não poderia ter sido melhor, em pleno dia da Proclamação da República, o jornalista e escritor discutiu os caminhos que levaram o Brasil a chegar até o seu modelo político e social atual.

No sábado alguns bons debates movimentaram o pavilhão do congresso literário. Entre eles a conversa entre Ana Maria Machado e Ronaldo Correia de Brito, que falaram sobre o retorno da infância por meio da escrita. O painel Consumir, protestar, espionar e outros temas incômodos, no jogo da sociedade moderna em mudança constante, colocou no centro das conversas uma entrevista com o sociólogo Zygmunt Bauman sobre o assunto da mesa. O mediador aqui foi o jornalista Silio Boccanera.

Ronaldo Correia de Brito e Ana Maria Machado

Para encerrar os trabalhos no sábado, uma conversa descontraída com Maitê Proença, Francisco Azevedo, com mediação de Gerson Camarotti. A atriz e escritora falou sobre a entrada na literatura em sua vida e de como isso ajudou a se tornar uma profissional melhor e mais exigente. O pavilhão ficou lotado para ouvi-la.

Gerson Camarotti, Francisco Azevedo e Maitê Proença

 

No domingo quatro painéis movimentaram o dia no pavilhão. O debate entre Andres Neuman, Luiz Ruffato e Andrea Del Fuego foi criativo e descontraído. Todos falaram um pouco dos livros que escreveram e comentaram sobre o jogo que é fazer literatura. Que começa com a ideia, depois a produção do livro, em seguida a publicação e depois a busca pelo leitor que vai lê-lo.

Cristhiano Aguiar, Andrea del Fuego, Andres Neuman e Luiz Ruffato

Talvez a conversa mais esperada tenha sido a de encerramento da Fliporto, com Valter Hugo Mãe e Sidney Rocha. Apesar das boas histórias do autor português, de como ele entrou para a literatura, algumas pessoas saíram decepcionadas por conta da postura quase sacerdotal do autor. Sem muitas reviravoltas, com pitadas de histórias engraçadas sobre sua relação com o santo São Bento. Segundo Valter, na infância foi curado de uma doença nas mãos pelo santo. A conversa foi muito bem mediado por Sidney Rocha, um escolha certeira da organização. Em mãos menos hábeis o bate-papo seria bastante enfadonho.

Valter Hugo Mãe e Sidney Rocha

Ficou claro que a Fliporto é um evento para a massa, não necessariamente para interessados em literatura, como acontece em Paraty, por exemplo. A feira do livro, localizado na entrada do evento, deu sinais claros que precisa ser repensada. Por ser um espaço pequeno, em vários momentos simplesmente travou. O saldo disso tudo, claro, foi positivo. Realmente é importante que o evento aconteça em Olinda, com todos podendo circular entre livros e autores. Mas a Fliporto precisa decidir qual o rumo que ela quer seguir. Não era tão difícil observar filas e mais filas por toda a praça. Não para assistir alguma palestra ou pegar um autógrafo do autor preferido. As filas eram para pegar bancos de papelão, refresco, biscoito e todo que era oferecido gratuitamente. Qual a intenção disso? Apenas levar gente para circular? Poderiam ter feito alguma ação mais pesado de incentivo a leitura, com brincadeiras, sorteio de livros etc.

De qualquer forma é sempre bom que eventos assim não deixem de acontecer. A literatura, que já é tão marginalizada, precisa circular, até entre pipocas e algodão doce.

Feira do livro

Fila para pegar o autografo de Mel Fronckowiack

Fila para pegar o autógrafo de Mel Fronckowiack

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Entrada principal da Fliporto

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