Fliporto completa 10 anos com mudança na estrutura

De 13 a 16 de novembro, a Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto) comemora 10 anos de existência com mudança na estrutura dos debates principais e dos eventos paralelos. Originalmente feito na praia de Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, o evento alcançou número impressionantes nos últimas anos, chegando próximo dos 100 mil visitantes na edição de 2013. Desde o início o evento literário se tornaria um porto de troca de experiências dialógicas com a literatura, por isso a escolha do cinema esse ano para fazer o paralelo entre as duas artes, que têm muito em comum. Sob o tema:‘Literatura é coisa de cinema’, a Fliporto, mais uma vez, reinventa-se e exalta um dos temas mais frequentes e de significativo alcance na literatura: a sétima arte. O escritor e advogado Antônio Campos é o presidente do Conselho Cultural da 10ª Fliporto. Uma das mais famosas Igrejas barrocas do Brasil, a do Mosteiro de São Bento, em Olinda, será parte integrante do evento, quando se dará a abertura da festa literária, que este ano homenageará o escritor, acadêmico da Academia Brasileira de Letras (ABL) e dramaturgo, Ariano Suassuna, autor de ‘O Auto da Compadecida’, ‘A Pedra do Reino’, e ‘O Sedutor do Sertão’, entre outros. O Complexo Educacional São Bento, localizado no coração da cidade de Olinda, irá receber os polos da Fliporto em suas dependências.

Lourenço Mutarelli vai falar sobre roteiro, narrativas e imagens: as técnicas do cinema e da literatura: aproximações e distanciamentos.
Lourenço Mutarelli vai falar sobre roteiro, narrativas e imagens: as técnicas do cinema e da literatura: aproximações e distanciamentos.

Passados 10 anos, a Fliporto está mudando. Não resulta do acaso, nem apenas da vontade de mudar. Decorre, isto sim, do desejo de trazer sempre o novo e de se adequar ao atual cenário socioeconômico e cultural. Diante disso, a Festa chega à sua nova idade com polos voltados para o público infanto-juvenil, com a Fliporto Galera e Galerinha – que presta homenagem à escritora e roteirista de TV, Adriana Falcão, que vai lançar durante o evento o romance biográfico sobre seus pais Queria ver você feliz, além de um ambiente exclusivo para os admiradores do cinema, através do Cine Fliporto, espaços coordenados pela cine-educadora Andréa Mota e, claro, o Congresso Literário, realizado sob a coordenação do jornalista Mario Helio Gomes. Entre os confirmados do Congresso, a escritora gaúcha Lya Luft,e o apresentador e autor britânico, Martin Sixsmith e a escritora Margaret Stohl. O acesso a todos os espaços do evento é gratuito e as atividades começam a partir das 10h. O tradicional Circuito Gastronômico da Fliporto, que envolve a seleção de restaurantes olindenses, como o Oficina do Sabor, este ano irá contar com oito estabelecimentos com pratos exclusivamente voltados para a temática e homenageados do evento.

Ondjaki vai lançar o romance O céu não sabe dançar sozinho
Ondjaki vai lançar o romance O céu não sabe dançar sozinho

A V Feira Internacional do Livro de Pernambuco, evento que acontecerá paralelamente à Festa e que este ano se amplia e dobra o número de estandes para 70 espaços voltados para editoras locais e nacionais, dentre elas o Grupo Editoral Record e a Companhia das Letras, ocorrerá na área de eventos do sitio histórico do pátio do Carmo. O homenageado será o escritor pernambucano Raimundo Carrero, que vai lançar durante o evento O romance do bordado e da pantera negra (Iluminuras), que ele produziu com Ariano Suassuna, mas que estava perdido há quase cinquenta anos. Ali, escritores, editores, livreiros nacionais e estrangeiros vão discutir e trocar ideias em bate-papos sobre o mercado editorial. Nos espaços da Feira e do Congresso também serão realizados lançamentos e sessões de autógrafos. Entre os principais nomes estão o angolano Ondjaki, autor dos celebrados livros Bom dia, Camaradas e Os Transparentes, e também o escritor paulista Lourenço Mutarelli, que já publicou os romances Jesus Kid, O cheiro do Ralo, Natimorto, entre outros.

Carrero vai lançar texto perdido há cinquenta anos
Carrero apresentará ao público texto perdido há cinquenta anos

O crescimento de visitantes ocorre em percentuais cada vez mais representativos, ao ponto de, na última edição, em 2013, alcançar a presença de mais de 100 mil pessoas nos quatro dias do evento. Este ano, a literatura e o teatro de Ariano, em forma de filme, e diversos outros autores, diretores, roteiristas mostrarão, na Fliporto, que não só a literatura é coisa de cinema e pra cinema, mas que o cinema seduz, e é seduzido pelas grandes histórias-estórias, com a câmera, a luz, a ação, a imaginação.

A Festa Literária de Pernambuco vai ter ainda exibição de filmes na edição do Cine Fliporto e Feira do Livro, distribuída pela Praça do Carmo. A Feira irá trazer mais de 60 estandes e mais de 100 editoras e distribuidoras nacionais. No Cine Fliporto, realizado de sexta a domingo, serão exibidos curtas e os longas A Máquina, de João Falcão, A Vida Não Basta, de Caio Tozzi e 16 Luas, de Richard Lagravenese. A Fliporto, como aconteceu no ano passado, é inteiramente gratuita.

Confira a programação:

Dia 13 de novembro
19h30
Abertura:
Lya Luft e Vicente de Britto Pereira:
O valor da vida

Quando, ao lançar Perdas e danos, perguntou-se a Lya Luft, numa entrevista, sobre o que é mais importante na vida, ela não titubeou: “Primeiro, a vida é mais importante do que a literatura”, e, por fim, disse as coisas que considera as mais importantes na vida: “afetos e a decência”. Portanto, sobre os valores vitais e sobre a vida valorada a cada dia é do que tratará esta conversa, imperdível.

Dia 14 de novembro
14h
Cláudio Assis, Xico Sá e Hilton Lacerda, com mediação de Isabela Cribari
Cinema e literatura: casamento suspeitoso, união estável ou de conveniência?

Desde pelo menos 1898, quando os franceses adaptaram Dom Quixote, a 2014, quando o Big Jato, de Xico Sá virou luz e ação de cinema, incontáveis horas e películas se ocuparam de obras literárias. Mas o que significa essa relação? Que liberdade ou libertinagem se permite um cineasta quando lê ou relê um texto? O que é melhor para um filme – ser fiel ou infiel ao livro? E um escritor – o que fica devendo ao cinema?

16h
Carina Rissi e Margaret Stohl, com mediação de Ju Costa:
Como seduzir o leitor e mantê-lo fiel.

Os escritores que a crítica mais elogia não raro têm pouco interesse por suas interpretações ou devotam um desdém solene ao que dizem deles. No outro extremo, os de grande sucesso de público parecem ter um caso de amor com o leitor. Um pouco dessa correspondência explicaria que sejam best-sellers. Duas das mais exitosas escritoras da atualidade revelam se há – ou não – receitas infalíveis para isso.

18h30
Hwang Sun-Mi e Braulio Tavares, com mediação de Abel Menezes
Escrever com alegria: a imaginação e a fantasia na literatura

“Gosto de escrever sobre pessoas em meus romances, mas me sinto muito mais livre quando escrevo uma fábula”, disse, numa entrevista, Hwang Sun-Mi. “Eu costumo anotar sonhos, há mais de 30 anos. Muitas das minhas histórias nascem de sonhos. Se eu não entendo o sonho, melhor ainda”, contou Bráulio Tavares. E mais dirão e contarão ao público da Fliporto.

20h15
Romero de Andrade Lima
Aula-espetáculo O Trovador Cariri

Nesta aula-espetáculo o narrador vai contando como o Mestre construiu os seus poemas… Tanto pelo que o poeta deixou por se escrito, quanto pelo que o pintor escutou dele pessoalmente… E durante a narrativa vai também relatando como fez sua leitura ilustrada dos versos… E como musicou com toadas populares para apresentá-los na antiga tradição da fala cantada…

Dia 15 de novembro

14h
Adriana Falcão, Homero Fonseca, Rodrigo Garcia Lopes, com mediação de Samarone Lima
Grandes e pequenos truques para contar boas histórias

Três autores muito diferentes entre si, mas tendo em comum a engenhosidade com que escolhem seus temas e cativam seus leitores. Seja nas narrativas que partem do cotidiano, ou das que buscam inspiração no cinema e no teatro, ou nas complicadas tramas do romance policial, existe um desafio comum: como contar uma história? O que cada um faz para gerar suspense, criar enigmas e resolvê-los.

16h
Lira Neto
Conferência Humanizando os mitos: as biografias do Padre Cícero e de Getúlio Vargas

Num país em que biografar os vivos é algo atualmente sujeito a polêmica e até censura, como será contar a vida de dois dos mais celebrados personagens da história do Brasil – o padre Cícero e o “pai dos pobres” – Getúlio Vargas? Lira Neto, que escreveu os melhores livros já publicados sobre ambos, explica como foi sua pesquisa, redação e repercussão do trabalho, e dá dicas sobre como elaborar boas biografias.

18h30
Eliene Medeiros da Costa, Priscila Varjal e Rafael Monteiro, mediação de Marcelo Pereira
A dimensão do humano em Raimundo Carrero – Família, religião e loucura.

Seus títulos são cheios de força dramática e trágica. As sombrias ruínas da alma, Sombra severa, Somos pedras que se consomem são alguns. Mas, independentemente de como se chamem seus livros, é do “humano demasiado humano” que tratam. Mais do que nietzschiano ou dostoievskiano, esse mundo povoado de família, religião e loucura é uma cosmovisão muito própria, que fascina os seus leitores e críticos mais atentos.

20h
Martin Sixsmith conversa com Silio BoccaneraA incrível e triste história de Philomena e as freiras desalmadas

Mãe solteira irlandesa tem o filho tomado por uma instituição católica e entregue à adoção contra sua vontade. Poderia ser o resumo de uma história dramática de cinema. E é. Indicado ao Oscar e com grande êxito de público. O filme Philomena, do britânico Steve Coogan. Baseado numa história real escrita por Martin Sixsmith, que lança o seu livro na Fliporto e conta tudo da obra numa entrevista exclusiva ao jornalista Silio Boccanera. Falará de como chegou à história, outros casos de adoção dramática que descobriu desde então, do clima repressivo na Irlanda da época, o papel das freiras e da Igreja num país cegamente católico, as diferenças entre livro e filme.

Dia 16 de novembro

14h
Lourenço Mutarelli e Ondjaki, com mediação de Sidney Rocha
Roteiro, narrativas e imagens: as técnicas do cinema e da literatura: aproximações e distanciamentos

Num mundo saturado de imagens e de narrativas, o que distingue o trabalho do escritor do que realiza um cineasta? E o roteirista, que papel tem para o resultado de um filme? As imagens no cinema, na literatura e na História em Quadrinhos, por exemplo, são essenciais – mas o que há de específico em cada uma delas? Dois dos mais premiados autores da atualidade contam de suas experiências nesses gêneros.

16h30
Carlos Newton Jr., Adriana Falcão e Bráulio Tavares, com mediação de Lourival Holanda
Ariano Suassuna: do teatro ao romance e do romance ao cinema

Se há algo que caracteriza toda a obra de Ariano Suassuna – na poesia, no teatro, no romance e até no que produziu sob forma pictórica – é a força narrativa e dramática. Com uma capacidade inigualável de comover, seja fazendo o seu público gargalhar, seja levando o seu leitor pensar e sentir algo tão grave como nas tragédias. Um professor especialista em seus textos, e dois escritores-roteiristas que fizeram os seus personagens vivos na tela da TV comentam suas leituras e releituras desses e outros livros.

18h30
Samarone Lima, Geneton Moraes Neto e Vladimir Carvalho
Prefiro Tolstoi: Ariano Suassuna e seus leitores, os segredos das e aulas-espetáculo e as entrevistas.

Era um entrevistado do tipo que os bons repórteres “pedem a Deus”. As frases de impacto surgiam aos borbotões e espontaneamente. Certa vez, um jornalista perguntou a ele: “O que o senhor acha da Aids?”. Ariano ficou em silêncio, e em seguida, respondeu: “Prefiro Tolstoi”. As aulas-espetáculo, as entrevistas e revelações de bastidores são o tema deste bate-papo.

20h30
Encerramento
Palestra de Raimundo Carrero em homenagem a Ariano Suassuna e concerto de Antônio José Madureira

A morte – o sol de Deus, A vida – a estrada e muitas outras obras compôs Antônio José Madureira com Ariano Suassuna, com quem fundou o Movimento Armorial, nos anos 1970.  Também do movimento participou o romancista Raimundo Carrero, sua A história de Bernarda Soledade – A Tigre do Sertão tem os elementos da estética armorial. Um antológico encerramento da Fliporto 2014 com a conferência-recital. A melhor homenagem ao Mestre.

Com informações da assessoria.

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