Fernando de Noronha entre mistérios e sombras

 

Por Ney Anderson

Fernando de Noronha é o lugar dos sonhos para muita gente, que vê nas belas praias do arquipélago o endereço perfeito para dias inesquecíveis. Justamente por conta do forte apelo turístico, o historiador Tobias é enviado por uma agência de viagens para fazer novos roteiros da ilha. Ele percebe que o aspecto histórico de Noronha é algo a ser explorado e começa a fazer uma vasta documentação fotográfica das ruínas e locais incomuns.

É nesse cartão postal que duas mortes acontecem. Dias Nunes, um coronel aposentado, é encontrado morto junto ao médico Jaime, em um caso que parece assassinato seguido de suicídio. Tobias, então, passa a fazer parte de forma indireta da investigação, fotografando os mortos a pedido do delegado Nelsão. Esse é o enredo de Presos no Paraíso, primeira incursão na ficção do jornalista Carlos Marcelo, editado pela Tusquets, braço da editora Planeta.

O livro fala o tempo todo em ruínas, como uma grande metáfora da própria degradação da espécie humana, que culminou na morte das duas pessoas. O passado e o presente em constante confronto, com personagens sempre transitórios. Fernando de Noronha é um local onde os turistas já descem do avião eufóricos para conhecer o paraíso. No entanto, todo esse burburinho quase não é utilizado.

O autor preferiu fugir dos clichês que o cenário poderia, inevitavelmente, sugerir. É um romance policial cheio de elementos históricos, que faz da ilha um local ainda mais singular. Dois livros centrais serviram de base de estudo para Carlos Marcelo: Fora do mundo: scenas e paisagens da ilha de Fernando de Norinha e Fernando de Noronha: a ilha da dor e do sofrimento, de Gastão Penalva e Amorim Netto, respectivamente, entre outros livros sobre o arquipélago. Os livros que o Filósofo, figura importante dentro da trama, oferece ao protagonista ajuda a reforçar o lado misterioso da ilha.

“Quase ninguém volta depois de ir embora daqui. E nem deveria voltar. Ou fica ou vai de vez. O isolamento provoca um confronto dentro da pessoa. A gente vive com os pés na areia e a cabeça voando pra depois do mar. Preso e livre ao mesmo tempo, entende?”

As descrições dos cenários, das praias, trilhas e os diversos outros elementos da ilha são feitas com bastante originalidade. Mas não existem golfinhos pulando, tubarões, arraias ou tartarugas. É apresentado a forma como o ilhéu vive de fato, longe dos holofotes das celebridades e, por isso mesmo, de maneira intensa. Uma celebridade, inclusive, é utilizada de forma pontual na trama. A ilha é mostrada no romance, sobretudo, de uma forma sombria, que cai como uma luva para o que está sendo contado. Serve apenas para a ficção que o autor propôs, com elementos surpresa que seguram a atenção do leitor. Inclusive com pitadas de histórias sobrenaturais, bastante comuns na ilha.

A alternância de pontos de vista é feita com maestria. Tobias é um historiador que vai fazer roteiros incomuns para uma agência de viagens. Nelsão, apesar de antigo na profissão, se depara pela primeira vez com crimes de características inéditas para ele. Juntar personagens muito diferentes na forma, mas que vivenciam algo inédito, foi uma alternativa acertada e exitosa. Um é extrovertido e o outro introspectivo. Isso é traduzido sutilmente no título e até na capa.

O historiador é alguém que entende a ilha por outro ângulo, principalmente voltando a sua visão para o passado que está muito presente por todos os locais do arquipélago, quando Noronha serviu de presídio para presos políticos. “Não dá para esconder o passado na paisagem, você esbarra nele o tempo inteiro. Como uma cicatriz num rosto bonito. Como se Alcatraz tivesse se tornado o Havaí”, diz Tobias. Já o delegado é mais solar, apaixonado pela ilha em todos os sentidos. O típico noronhense. “Quem vive aqui não repara mais na beleza, muitos reclamam que é tudo parado. Eu gosto, não troco por nenhum lugar do mundo. Se tem uma coisa que a gente tem orgulho de ser daqui, não de lá (Pernambuco). Confundir isso é pior que dizer que um catarinense é gaúcho”.

“O mar não cerca a ilha, nunca cercou, meus jovens. Aprendam! É a ilha que cerca o mar!”.

Uma boa parte do romance trata da questão familiar de Tobias, que precisa cuidar da filha adolescente Dora, junto com a irmã Isis, depois de ter ficado viúvo. Ele é alguém cheio de conflitos, totalmente deslocado do mundo por causa do drama familiar e acaba indo para um lugar onde só faz aumentar esse sentimento, ainda mais quando a sua rotina é alterada de forma drástica. Ele se descreve como uma pessoa solitária, igual o Morro do Pico. Essa característica ajuda na concepção do personagem enquanto alguém cheio de contradições e mistérios, como a própria ilha. Não poderia existir analogia melhor.

O romance também é muito pautado pelo som. É possível ouvir o barulho do mar, o canto dos pássaros e o rastejar das mabuias, os simpáticos lagartos noronhenses. A influência sonora faz um paralelo com algo bastante peculiar em Noronha que é a força do vento, responsável pelo fenômeno do swell, popularmente conhecido como ondas gigantes. O álbum Wave, de Tom Jobim, por exemplo, é citado como uma das influências de Tobias, que serve perfeitamente à atmosfera noir do romance. Um disco delicado, intimista, denso e cheio de nuances.  “Aquelas músicas me conheciam como poucos, eram minhas amigas. Ficaram comigo nos piores momentos, jamais me abandonaram e nunca exigiram nada em troca”.

A construção dos personagens é o que de melhor existe no livro. Não tem como o leitor não se envolver com cada um deles. Não são apenas secundários à trama principal, eles estão na história de forma realmente necessária, com suas histórias paralelas. Todos eles, inclusive, parecem carregar pequenos segredos. Sem os personagens dificilmente o romance teria força para prosseguir. Isso é refletido nas ações, acontecimentos e no próprio desenvolvimento narrativo, com os secundários dando força ao enredo.

Os personagens ajudam a compor um retrato muito próximo do que é viver na ilha. Lena, dona da pousada onde Tobias está hospedado, com quem teve um rápido romance. Emídio, o Filósofo, conhecedor da história da ilha, figura determinante dentro da história. Isa, a irmã executiva de Tobias, responsável por enviá-lo à ilha. Cidinha, dona do forró mais badalado. Dora, a filha; Diego Rodrigo, o ator famoso; O holandês, dono de uma pizzaria. Farley, policial, e Jackelyne, a esposa de Nelsão, que detesta Noronha. Orlando, o professor. E os mortos Dias Nunes e doutor Jaime, e até mesmo Nanda, a esposa falecida de Tobias, ajudam a compor o retrato muito próximo do que é viver na ilha.

A descoberta da motivação do crime é um dos bons recursos da prosa policial, que Carlos Marcelo conseguiu executar com maestria em Presos no Paraíso, jogando pequenas pistas quase imperceptíveis ao longo da história, com digressões bem amarradas de maneira tecnicamente perfeita. O final por si só não é uma surpresa, mas o livro é tão envolvente que a descoberta do que aconteceu realmente não torna o romance uma decepção. Apenas pelo fato de ser um detalhe dentro de algo muito maior.

É um livro de suspense que não se prende apenas nas mortes. Existe tensão, drama e conflitos. Através das deduções do delegado Nelsão, entendemos o que realmente pode ter acontecido. A figura do investigador, aliás, é perfeitamente compatível para alguém que está à frente do primeiro grande caso em muito tempo na sua jurisdição. Mesmo com o ineditismo do fato, ele é um exímio investigador, que não fica devendo em nada aos grandes detetives da literatura.

“O homicídio é o mais difícil dos crimes, é o único que não conta com a vítima para fornecer as características do agressor. A graça não estava no tiro, mas no poder embutido na possibilidade do disparo. Ele jamais revelou o segredo, mas quase sempre reconhecia o assassino por meio da vítima”.

No último capítulo existe uma alternância sofisticada de narradores, representados pelo Mar de Fora e o Mar de Dentro, que se encontram, como acontece em Noronha, para encerrar a história. É o encontro dos narradores, como diz o autor: “ “de fora”, onisciente, acompanha o delegado Nelsão. “De dentro”, em primeira pessoa, é a voz do Tobias. E ambos se confrontam no desfecho do último capítulo antes do epílogo”, fechando a trama policial de forma bastante poética e sutil.

Presos no Paraíso, muito além de ser uma história policial, é uma crônica de costumes do povo noronhense observado por um outro viés, o da criação puramente literária, com leves pincelados do “real”. São personagens imperfeitos, que estão sempre à procura de algo, defendendo aquele pedaço de terra com unhas e dentes, que se veem envolvidos num caso de polícia. Existe de tudo um pouco no livro, sem que essa mistura atrapalhe a leitura. É um romance de grande fôlego do começo ao fim.

Noronha é um micro espaço dentro de um país continental, com dramas e as contradições como no restante do território nacional. Com o detalhe de ser um local paradisíaco, onde as pessoas transferem para lá o sonho de vida, com a ideia de paraíso. A ilha é especial por conseguir equilibrar esses diversos aspectos, tão bem captados em Presos no Paraíso, um ótimo trabalho de ficção.

Confira a seguir uma entrevista exclusiva do autor ao Angústia Criadora, onde ele explica, entre outras coisas, como surgiu a ideia de ambientar uma trama policial em Fernando de Noronha, um dos lugares mais admirados do mundo.

Entrevista com Carlos Marcelo:

Fernando de Noronha proporcionou um mergulho na minha imaginação.

 

Angústia Criadora – Por vezes não percebemos que estamos diante de um romance policial lendo “Presos no Paraíso”. É algo mais amplo, com diversas possibilidades. A opção era pelo suspense mesmo ou isso foi aparecendo ao longo da escrita?

Carlos Marcelo – Eu sabia que a história a ser contada teria elementos de drama e de suspense, mas de uma forma que os dois gêneros caminhassem juntos, às vezes entrelaçados, como no desfecho. Sabia que haveria um crime, uma investigação e uma solução – mas não necessariamente a serem descritos, e encadeados, como nos tradicionais romances policiais. A percepção citada na sua pergunta é a mesma de outros leitores, que dizem ter mergulhado nos dramas dos personagens sem se deter exclusivamente em questões do gênero policial, como a tentativa de antecipar o porquê do crime e o “quem matou?”.     O que apareceu durante a preparação do que chamo de “arquitetura” do romance, que é a formulação do que conteria cada capítulo, foi a necessidade de alternância de tempos e de vozes narrativas, para entrelaçar o suspense e os dramas dos protagonistas.

AC – Você foge totalmente da imagem turística de Fernando de Noronha. Ambientar o enredo num arquipélago, com todas as peculiaridades do lugar, foi um desafio?

CM – Sem dúvida, mas também foi o mais fascinante no ponto de partida. A história que eu imaginei só faz sentido em Noronha, por causa dos intensos contrastes que o arquipélago apresenta, basta observá-los. Os embates da natureza com o homem, do presente com o passado, de preservação e destruição, do apelo turístico com a dureza concreta do cotidiano, do mar de dentro com o mar de fora, do deslumbramento dos turistas com a realidade dos ilhéus… todos esses aspectos impulsionaram a criação.

AC – Como se deu o seu contato com Noronha?

 CM – Conheci Noronha inicialmente pelos relatos da minha irmã, Luciana Carvalho, que trabalhou durante alguns anos na administração da ilha. As histórias que ela contava sobre as peculiaridades da vivência do dia-a-dia me despertaram curiosidade. Depois, tive a oportunidade de ir até lá e passar alguns dias em 2014 para produzir uma reportagem sobre a história de Noronha. Esta viagem foi decisiva para formulação da trama de “Presos no paraíso”.

AC- Você criou personagens com características muito próximas dos verdadeiros ilhéus. Pessoas que vivem a ilha de outra forma, diferente dos turistas. Como foi o processo de elaboração desses personagens?

CM – O processo foi elaborado a partir do que observei e das muitas conversas que tive em Noronha com os verdadeiros ilhéus. Fiz questão de conversar (e anotar) muita coisa, até gírias noronhenses, e prosseguir com as pesquisas depois de voltar. Mas gosto de enfatizar que a Noronha descrita em “Presos no paraíso”, apesar das citações de lugares e histórias reais, foi concebida como uma visão particular decorrente das necessidades da criação literária, não é devedora da realidade. E os personagens também são decorrentes dessa visão. Misturei, por exemplo, nas reminiscências dos personagens, traços culturais de diferentes estados nordestinos, em especial os mais próximos, como Rio Grande do Norte e Paraíba, além de Pernambuco, claro. Então, na minha visão, é como se os personagens de “Presos no paraíso” concentrassem a memória da cultura nordestina, mas sem limites estaduais.

AC- Como foi a sua imersão na ilha para criar um romance policial tão original, com elementos que fogem totalmente do estereótipo do noronhense?

 CM – No meu entendimento, o processo criativo de “Presos no paraíso” é formado por três pilares (e um quarto, “intruso”): invenção, experiência e observação. O quarto elemento, o “intruso”, é a intuição, que nos surpreende durante a escrita, apontando novos caminhos para os personagens e para a trama.

AC – Um personagem diz que em Noronha se está preso e livre ao mesmo tempo. Foi essa percepção que notou quando desembarcou na ilha?

CM – Passei pouco tempo na ilha. Na conversa com os ilhéus, não detectei esse sentimento. Eles me pareceram bem resolvidos com o seu lugar, e muito orgulhosos da condição única. Mas, por meio de outros relatos, em especial de questões prosaicas (para ir ao cinema no domingo, por exemplo, é preciso pegar um avião), notei que poderia explorar esse sentimento em um dos personagens. Mas, vale enfatizar, nem mesmo na ficção de “Presos no paraíso” os sentimentos contraditórios são predominantes. O delegado Nelsão, um dos protagonistas, ama a sua ilha e adora viver lá: é um noronhense com muito orgulho de seu lugar.

AC – As ruínas são personagens paralelos à trama. Foi esse aspecto que mais te impressionou?

CM – Além de carregar a força do passado, as ruínas de Noronha impressionam pela falta de conservação. Muitas foram engolidas pela natureza, como na Aldeia dos Sentenciados, e esse fato me marcou a ponto de criar uma cena importante do romance que se passa no local. Ao mesmo tempo que imploram por restauro, as ruínas ainda contêm símbolos fortes do passado sombrio da ilha, como grades enferrujadas. Para uma trama que explora o embate do passado com o presente, nada poderia ser mais estimulante.

AC – A figura do Filósofo é emblemática na condução de todo o romance. Se inspirou em alguém especificamente para criá-lo?

 CM – Sim, o Filósofo é uma espécie de guardião das histórias – conhecidas e ocultas –  da ilha. Ele também é capaz de construir pontes entre o passado e o presente. Não me inspirei em ninguém em especial, mas lembrei que, na minha infância em João Pessoa, na rua onde eu morava passavam em frente à minha casa alguns homens velhos. Aparentemente loucos, guardavam muito conhecimento enciclopédico e eram capazes de recitar trechos inteiros de livros clássicos e da Bíblia. Talvez a inspiração tenha vindo dessa lembrança particular. Mas o que me mais me interessou na figura do Filósofo foi a sua condição de solitário. É um personagem que carrega conhecimento e também melancolia. Parece, também, “preso no paraíso” – e somente a força descomunal da natureza é capaz de libertá-lo.

AC – O romance policial tem diversas fórmulas para prender o leitor. Um exemplo é a condução da narrativa na busca pelo assassino. Embora tenha isso no seu livro, existem vários outros elementos que transformam o seu romance em algo mais amplo, não apenas uma história de assassinato. A construção de Presos no Paraíso se deu dessa forma?

 CM – Foi deliberada, eu diria até arquitetada, a decisão de entrelaçar drama e suspense.

AC – Em certo momento o delegado Nelsão diz que sempre teve o poder da dedução. E que “a graça não estava no tiro, mas no poder embutido na possibilidade do disparo”. O grande ponto de interrogação, o que movimenta a curiosidade em torno do romance policial, é o porquê daquele crime ter ocorrido?

CM – Também, mas eu me interessei mais em mostrar as consequências de um ato extremo envolvendo dois homens de idade, marcados pela vida, diante das circunstâncias oferecidas pelo destino. Ou seja, de novo o drama me parece tão atraente quanto o mistério.

AC – Nelsão observa nos detalhes para tirar as próprias conclusões. É justamente nas entrelinhas que ele trabalha, através das coisas não ditas explicitamente. Você acredita que a graça do romance policial, também, é fazer do leitor um “detetive”?

CM – Tenho certeza que sim. Sempre fui um leitor voraz de romances policiais, e muitas vezes relia os livros de Agatha Christie, Rex Stout e P.D. James para encontrar as “pistas” das soluções apresentadas no desfecho. Quem reler “Presos no Paraíso” vai perceber que há diversas pistas propositalmente espalhadas ao longo dos capítulos para permitir que o leitor também chegue à sua conclusão sobre o que ocorreu na noite do crime. Uma das pistas, por sinal, está no trecho escolhido para a contracapa do livro. Uma decisão arriscada, mas ninguém percebeu…ao menos até agora!

AC – O delegado, aliás, se parece bastante com o personagem Mandrake, do Rubem Fonseca. Foi a base para o seu detetive?

Ruínas de Noronha

CM – Gosto bastante dos livros do Rubem Fonseca, sempre será uma das referências quando se fala em literatura brasileira do século 20: “Feliz ano novo” e “Vastas emoções e pensamentos imperfeitos” são livros que carrego na memória. Mas Mandrake não foi uma inspiração, ao menos não de forma consciente. Acho que, entre as referências para a criação do delegado Nelsão, está o glutão Nero Wolfe, de Rex Stout, e o delegado tão brasileiro de “A faca de dois gumes”, de Fernando Sabino, um dos livros que mais gosto do escritor mineiro.

AC – O gênero policial foi subjugado por muito tempo. Você acredita que essa impressão mudou? Por qual motivo?

CM – Começou a mudar a partir de releituras de grandes intelectuais, como o argentino Ricardo Piglia, que trouxeram reflexões importantes sobre as questões contidas nos romances policiais. Mudou também porque não há mais a predominância de autores dos EUA, França e Grã-Bretanha. Houve o boom do romance policial nórdico, Leonardo Padura Fuentes fez de Cuba o cenário para grandes romances protagonizados por Maio Conde, Andrea Camilleri na Itália, Montalbán na Espanha, Mankell na Suécia… Todos trouxeram elementos de suas realidades sociais, até políticas. Escrevi um ensaio sobre essas mudanças no romance policial contemporâneo, chamado “Crimes sem fronteiras”, publicado no ano passado em revista da pós-graduação da UFRJ. Está disponível na internet.

AC – Você pretende escrever outro suspense? Se sentiu confortável no gênero?

CM – Sinto-me confortável lendo romances policiais, ocasionalmente confortável até demais, porque as tramas se tornam previsíveis. Ao escrever, tento não pensar em gêneros e categorias, e sim em narrar uma história com todos os ingredientes que ela pede – e que possa interessar ao leitor. Dito isso, acredito que, ao escrever outro livro com um crime, uma investigação e uma solução, será da mesma forma que “Presos no Paraíso”: adicionando dramas e elementos não tão comuns, como foi em “Presos” a narrativa em primeira pessoa, utilizada de forma muito parcimoniosa por autores como Agatha Christie, alternada ocasionalmente com a terceira pessoa. As vozes narrativas, por sinal, só se encontram no final do livro, quando há o encontro do mar de fora com o mar de dentro, como ocorre em Noronha.

AC – Até que ponto os livros de Amorim Netto e Gastão Penalva te ajudaram na criação da história?

CM – Foram bússolas. Pontos de referência, em especial para contextualização e compreensão dos períodos históricos que Noronha foi utilizado como presídio. São grandes livros de reportagem, documentos valiosos da história do país. Precisavam ser reeditados.

AC – Se fosse para você fazer um roteiro alternativo de Noronha, seria próximo do que Tobias fez?

CM – Certamente. É um aspecto de Noronha que precisava ser mais valorizado: o forte de Nossa Senhora dos Remédios foi cenário de histórias intensas, algumas bem sombrias, não precisa ser utilizado apenas como ponto de encontro para contemplação do pôr do sol por casais em lua-de-mel.

AC – Como a ilha te afetou enquanto escritor?

CM – Proporcionou um mergulho na minha imaginação.

AC – Noronha é considerada um paraíso. Você acha a mesma coisa?

 CM – Certamente. Mas um paraíso na terra brasileira, com as virtudes e problemas que o nosso país oferece.

AC – Qual o seu lugar preferido na ilha?

CM – Não conheci tudo que gostaria, mas a tranquilidade da Praia do Leão me fascinou. E a força do mar na Ponta da Air France. Não à-toa, utilizei os dois lugares para cenas importantes de “Presos no paraíso”.

AC – O que ainda falta ser explorado em Noronha?

CM –  Acho que os turistas poderiam ser estimulados a conhecer mais a história de Noronha, não apenas as praias e mirantes. Conhecer a história de Noronha é conhecer a história do Brasil.

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