Por Ney Anderson
Fenônemo nas redes sociais, sobretudo no YouTube, onde tem mais de 2,5 milhões de inscritos, o padre Alex Nogueira, natural do Paraná, lançou recentemente o primero livro, intitulado “Orar faz muito bem – um caminho espiritural para crescer na vida de oração”, publicado pela editora Loyola, que já vendeu mais de 60 mil exemplares. Na obra, o padre faz uma grande reflexão sobre uma das orações mais conhecidas do Cristianismo, o Pai Nosso. Em nove capítulos, onde cada um deles representando um verso, o padre examina a força e o poder da oração, dando diversos exemplos e refletindo sobre a vivência para o mundo material e espiritual.
Entre as reflexões, estão: curar as feridas paternas, reconhecer Deus como verdadeiro pai, a santidade daquele que reza, a vinda do Rei de Deus, por que pedir se Deus já sabe?, o alimento espiritual e a conversão, o pecado, rezar pelos inimigos, qual a origem da tentação e como lutar contra o mal? Em cada final de capítulo, existe a indicação da reza do Pai Nosso de forma contemplativa e imersiva. Um verdadeiro guia de oração, meditação e mergulho no Pai Nosso. A oração que, segundo a tradição, o próprio Cristo ensinou.
Além do livro, o padre Alex Nogueira, que também é formado em filosofia, história e teologia, evangeliza através do YouTube e Instragram, com o programas diários “Manhã de Luz” e “Boa noite, meu Jesus”, e ainda diversas novenas e orações constantes para os muitos santos da igreja católica.
Em rápida passagem pelo Recife, durante a concorrida turnê de lançamento na Livraria Leitura, do Shopping Recife, o padre Alex Nogueira concedeu uma entrevista exclusiva ao Angústia Criadora, onde ele falou sobre a obra, aspectos religiosos e outros assuntos relacionados à fé Cristã.
“Deus não é para ser vivenciado pelos sentidos humanos, é para ser vivido na fé”
Entrevista – Padre Alex Nogueira
Angústia Criadora – Com as suas palavras, do que se trata o livro? Ao que se propõe?
Este livro tem a intenção de levar às pessoas a rezarem. Por isso o nome é “Orar faz muito bem”. Ele trata da oração do Pai Nosso, que é o modelo de oração que Jesus nos deixou para que nós possamos crescer nesta vida de oração.
AC – No livro, o Pai Nosso é destacado como uma oração potente, que traz benefícios aos fiéis. Deve-se rezar, sobretudo, com qual objetivo?
O objetivo de rezar o Pai Nosso é que a gente faça um diálogo com Deus, e neste diálogo com Deus, nós humildes que somos, reconhemos Deus como nosso criador e como Nosso Senhor. Então, pela via da humildade, o Pai Nosso nos ajuda neste caminho de crescimento espiritual.
AC – O livro também pode ser entendido como um despertar nas pessoas a entrarem no catolicismo?
Sim. Visto que durante todo o caminho que eu faço no livro, além de explicar o Pai Nosso, eu explico também elementos que constituem a fé católica. Então, isso faz com que a pessoa também entenda a fé que ela tem.
AC – O livro propõe mudanças nas pessoas. Quais mudanças são essas?
Todo mundo que quer seguir a Jesus não pode continuar a vida do mesmo jeito, precisa mudar. E os aspectos na abundância da vida ele se fazem através da fé. Mas, agora, a pessoa pode perguntar, mas qual é esse caminha de fé? O caminho de fé ele se faz exatamente nesta mudança, que nós chamamos conversão.
AC – O senhor fala bastante na obra sobre as “amarras do pecado que impedem de progredir”. Que amarras são essas?
Na realidade é que o pecado é uma escravidão. Portanto, nós podemos comparar como se fosse uma amarra. A pessoa que está presa, por exemplo, a um vício e não consegue se libertar dele, ela está amarrada àquele vício. Então, nós precisamos nos libertar dessa realidade viciosa que o pecado faz em nossa vida, que é uma espécie de nos amarrar a ele. Nós podemos nos libertar porque Cristo já nos libertou.
AC – Durante toda a obra se fala bastante na “verdade de Jesus”. Qual verdade é essa?
O próprio Cristo que no Evangelho de São João afirmou que ele é o caminho a verdade e a vida. No mundo de hoje há muitas opiniões e as pessoas brigam por conta de opiniões. Nós, que somos cristãos, temos no Cristo uma verdade, não é opinião. Jesus um dia perguntou para os discípulos, o que que os homens estão falando de mim? Alguns disseram, “O senhor é Elias, o senhor é um dos profetas”. Mas Pedro disse que “O senhor é o Messias”. E aí Jesus disse a Pedro, “Você tem a verdade, os outros estão falando sobre opiniões”. Mas Pedro é verdade, então Jesus é a nossa verdade.

AC – O senhor destaca a “entrega total à vontade de Deus”. Poderia explicar melhor?
Para saber se eu vou me entregar a uma realidade eu preciso menos ter um discernimento sobre o que ela é. E a vontade de Deus, um dos temas que estão tratados no livro, ela se materializa na nossa vida, quando nós abstratamente olhamos para os mandamentos que Deus tem para conosco. E agora eu preciso aplicar esse mandamento para a minha vida. A aplicação do mandamento se chama “vontade de Deus” para a minha vida, de viver nos seus mandamentos. Visto que ele, como eu disse anteriormente, é o nosso caminho.
AC – Nesse nosso mundo de hoje, materialista, onde boa parte da população não acredita no sobrenatural, como é possível fazer as pessoas entenderem que Deus é algo real? Como resolver isso no coração delas?
Temos que entender que nem todas as coisas que são reais são visíveis. Eu costumo utilizar o exemplo de uma cerca elétrica. Se você chegar e não saber se ela está ligada ou não colocar a mão, é só assim que você vai descobrir se tem eletricidade passando ali ou não, porque é algo invisível, os elétrons passando, a corrente elétrica ali, você não vê. Mas se você colocar o dedo pode sentir o choque. Então nem tudo neste mundo é visível. Você observa o ar e não enxerga. Nós temos que entender que Deus criou todas as coisas visíveis e invisíveis. E a partir daquilo que Deus criou, eu posso intuir. Se existe é porque há um criador e a partir das coisas visíveis chegar a intuir, por uma verdade da razão, que Deus existe. Mas não é só intuir que Deus existe. Aí eu tenho que dar um passo a mais. Depois descobrir que ele de fato existe, por um caminho da minha própria razão, então fazer um ato de fé, que é uma decisão. A fé é mais do que saber se Deus existe ou não. É uma decisão de viver e mudar a vida.

AC – O seu livro ressalta o amor de Deus. Porque boa parte das pessoas têm tanta dificuldade de amar a Deus e aceitar esse amor vindo dele?
Nós precisamos de uma determinação. Quem não está determinado a fazer uma coisa não vai conseguir nunca chegar a essa meta. Uma pessoa que queira fazer uma maratona e correr 15 km, se ela nunca correu ou caminhou na vida, se ela não treinar, não chega lá. E para treinar, precisa de determinação. Assim também no âmbito espiritual. A pessoa precisa se determinar a amar a Deus e, amando a Deus, amar o próximo por causa dele.
AC – Oração constante é o remédio infalível para todas as chagas da alma e do coração?
Nós temos que entender que a oração é um caminho para que a pessoa possa ter uma intimidade com Deus e um diálogo com ele. Porém, a oração não é um escudo que vai me blindar de todas as dificuldades e que vai ser uma solução mágica para minha vida. Na realidade, a oração me fortalece para que, nos desafios e dificuldades da vida, eu esteja pronto para enfrentá-los. Então, muito mais do que ser uma solução na realidade, é uma fortaleza para que diante das circunstâncias difíceis da vida, eu encontre uma solução. A de permanecer firme e forte na minha fé.
AC – O cristão deve, de fato, alimentar a esperança na segunda vinda de Jesus? Como carregar a cristandade num mundo tão corroído?
Sim, nós rezamos que ele há de vir para julgar os vivos e os mortos. Esse é um elemento essencial da fé católica. Nós cremos que ele há de vir e esperamos por isso neste mundo tão conturbado. Nós precisamos firmar a nossa fé e olhar com a esperança para esta meta final.
AC – O que é a cegueira espiritual?
Cegueira espiritual é exatamente essa. Às vezes eu posso ter uma visão material muito boa, mas não dou o passo da fé. Quando não faço desta forma, estou dizendo que posso estar com a minha alma vendada. Por isso, então, uma cegueira espiritual nessa comparação.
AC – Entre as várias reflexões presentes no livro, aparece o sentido da existência humana na Terra. Como encontrar esse sentido?

Fomos criados para Deus e dentro do mais profundo de nossa alma uma sede. Todo mundo sempre quer mais. Uma pessoa que entra no emprego, ela quer crescer, se desenvolver, ir para frente. Uma pessoa que ganha alguma coisa, daqui a pouco ela quer mais e mais. Existe uma ânsia de mais dentro de nós. Na realidade, no mais profundo do ser, esta ânsia nada mais demonstra que nós estamos com sede de algo. E essa sede é de Deus. Por isso somente em Deus eu encontro a minha fortaleza e a resposta para o mais interior daquilo que está clamando dentro de mim que é o próprio Deus.
AC – O senhor tem um trabalho de evangelização muito forte nas redes sociais. Tem notado uma mudança significativa no comportamento das pessoas após a utilização dos sacerdotes e religiosos dessas novas ferramentas?
Nas redes sociais cada padre possui uma originalidade e um perfil específico de evangelização. E eu creio que cada um a seu modo atinja um público específico e ajuda outras pessoas a se aproximarem mais de Deus. Nós sabemos que a fé não se resume às coisas digitais e virtuais, mas ela pode sim ser fortalecida por este caminho.
AC – Aliás, recentemente a CNBB reuniu vários padres, o senhor entre eles, que têm grande alcance nas mídias digitais. Foram passadas orientações para vocês lá ou serviu mais como uma confraternização?

Esse foi um primeiro encontro presencial de um grupo que nós já temos que fazemos reuniões virtuais, de tempos em tempos. O objetivo principal do nosso encontro presencial lá com os principais padres que evangelizam pelas redes sociais, foi de que nós observarssemos qual era o que nos unia, no que nós chamamos de concórdia. Então, cada um com a sua originalidade, e como que cada um se expressa nas redes sociais. Foi este o caminho que nós fizemos lá na CNBB. Claro, teve um momento de confraternização e o momento de conhecer, de cada um partilhar com o outro. Não foi um lugar de diretrizes, mas sim de mútuo o conhecimento.
AC – Quando começou o seu sacerdócio?
Já faz 11 anos que eu fui ordenado padre. Trabalho na diocese de Jacarezinho, no Paraná. Exerço o trabalho nas redes sociais também aproximadamente desde o tempo em que eu fui ordenado padre. Só que primeiro nós fizemos o programa na rádio e depois ele se popularizou pelo YouTube.
AC – Fale sobre o trabalho de construção de um mosteiro que o senhor está coordenando.
Quanto a construção do mosteiro Preciosíssimo Sangue, na cidade de Jacarezinho, é voltado para um grupo de irmãs (freiras) que possuem um mosteiro que fica no centro da cidade. Ele é bem pequeno para o número de vocações de rrmãs que estão lá e também fica no centro da cidade e há muito barulho. Isso dificulta a vivência delas, que é uma vivência mais contemplativa. Por conta disso, elas ganharam um terreno na cidade de Carlópolis e estão empreendendo a construção de uma igreja dedicada ao Preciosíssimo Sangue e também do mosteiro. Para esta construção eu estou colaborando com elas na campanha, visto que eu atendo a confissão delas como confessor desde 2013. Por isso, pela proximidade que tenho com elas, tenho as ajudado nessa construção.
AC – Durante essa caminhada como sacerdote o senhor já sentiu a presença real de Deus?
Na nossa vida de padre nós vivemos da fé assim como qualquer outro Cristão. É claro que muitas vezes há uma uma certa ânsia de que as coisas sejam sensíveis, que passem pelos sentidos. Mas eu posso afirmar que a experiência de padre ela começa por um ato de fé. E o que é este ato de fé senão uma decisão da nossa vontade que é iluminada na inteligência por uma verdade. Então. nós vemos uma verdade que foi revelada por Deus e decidimos acreditar nela. Esta circunstância, em algumas ocasiões, podem sim despertar em nós bons sentimentos de paz, da própria presença de Deus. Mas Deus não é para ser vivenciado pelos sentidos humanos, como nós temos os cinco sentidos. Deus é para ser vivido na fé. Em algumas ocasiões pode até se sentir a presença dele, é claro. Qualquer pessoa que faça uma oração verdadeira e que de fato decida por essa vida de fé poderá ter essa experiência todos os dias. Como o padre tem ao celebrar a missa, ao rezar as outras orações devocionais, por exemplo.
AC – Uma mensagem final. Como encontrar Deus no meio de tanto caos que o mundo nos obriga a fazer parte?
Viver nas virtudes. Virtude é um hábito bom. Portanto, fé, esperança e caridade são virtudes essenciais para que a gente caminha neste mundo rumo ao céu.
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Redes sociais do padre Alex Nogueira
Instagram: @padrealexnogueiraoficial
Site: http://www.padrealexnogueira.com

